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Conhece a ligação entre a mudança da hora e a Iluminação?

Na passada noite de Sábado, dia 27 de Março, para Domingo, dia 28 de Março, mudámos mais uma vez a hora para o horário de Verão. Mas será que sabe por que motivo adiantamos ou atrasamos os nossos relógios duas vezes por ano? Este hábito está relacionado com o aproveitamento da luz solar. No artigo de hoje vamos descobrir um pouco mais sobre a mudança da hora e a sua ligação à Iluminação.


O hábito de alterar o tempo em função do comportamento do Sol já é antiga. Os romanos, por exemplo, contabilizavam o tempo de forma a ajustá-lo continuamente ao Sol. Atualmente, cerca de 70 países ao redor do mundo mudam a sua hora sazonalmente.


Em 1784, Benjamin Franklin apercebeu-se que muita da iluminação natural presente durante o inicio da manhã era "desperdiçada" enquanto as pessoas dormiam. Ao mesmo tempo, as mesmas ficavam acordadas várias horas após o pôr do sol, o que implicava muitos custos para iluminar as suas divisões através de velas, a única iluminação disponível na altura. Assim, Benjamin Franklin concluiu que era possível economizar muito significativamente em cera de vela ao adiantar os relógios no verão. Publicou então no Journal de Paris um ensaio intitulado "Economical Project for Diminishing the Cost of Light" onde demonstrava que retardando o anoitecer, reduzir-se-ia o consumo de velas em casas, oficinas e escritórios. Só em Paris, de acordo com os seus cálculos, seria possível poupar 96 milhões de livres tournois (a moeda francesa na época).


Benjamin Franklin

Assim, a primeira vez que se idealizou a mudança de horário foi de forma a obter uma poupança nos custos associados à Iluminação da época, as velas.


Mais tarde, em 1895, o cientista neozelandês George Hudson apresentou uma tese à Sociedade Filosófica de Wellington, onde idealizava o horário de verão como o conhecemos atualmente, mas com um ajuste de 2 horas para ter mais horas de sol depois do trabalho para caçar insetos no verão. Inicialmente foi ridicularizado, no entanto, quando em 1927 a Nova Zelândia adotou o sistema, Hudson recebeu uma medalha.


George Hudson

O inglês William Willett liderou uma campanha junto o Parlamento Británico para implementar o horário de verão. Publicou a brochura “The Waste of Daylight” em 1907, onde afirmava que o Reino Unido deveria adiantar seus relógios em 80 minutos entre Abril e Outubro para que mais pessoas pudessem desfrutar da abundante luz solar. Ano após ano, no entanto, o Parlamento britânico recusou a medida múltiplas vezes e Willett morreu em 1915 sem nunca ter visto a sua ideia se concretizar.

William Willett

Durante a 1ª Guerra Mundial, em plena era do carvão e da eletricidade, adotou-se esta medida com o objetivo de auxiliar o esforço militar, que obrigava a uma estratégia que permitisse poupar energia. Em 1916, dois anos após o início da Primeira Guerra Mundial, o governo alemão foi o primeiro a implementar a ideia de Willet. A Inglaterra e quase todos os outros países que lutaram na Primeira Guerra Mundial seguiram o exemplo, assim como os Estados Unidos, em 1918. O mesmo processo repetiu-se mais tarde na 2ª Guerra Mundial, pois os escassos recursos dos países que entraram nestes conflitos, pediam uma poupança de combustível e mudar a hora era uma preciosa ajuda nesse aspeto.


Mais tarde, a grave crise de petróleo, em 1973, fez com que a ideia de Benjamin Franklin se poupar energia ressurgisse. A mudança de hora acabou por se tornar uma diretiva europeia em 1981.


Considera-se que a mudança horária tem um impacto positivo na economia, com vários sectores, como o do retalho e do turismo, a beneficiar da hora extra de luz nas tardes de Verão.


No entanto, a mudança da hora é controversa e existem algumas indústrias que sofrem um impacto negativo com esta alteração, como o setor da Agricultura. Vários criticam os problemas que esta mudança gera, a nível pessoal e empresarial.


A Comissão Europeia apresentou em 2018 uma proposta para acabar com a hora de inverno e de verão. No entanto, concluiu-se que cabe a cada Estados-membro decidir. Portugal, por exemplo, demonstrou o objetivo de manter a alteração sazonal, com base numa recomendação do relatório realizado do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), de agosto de 2018.


globo mudança da hora

Na verdade, regra geral, optar ou não pela mudança de hora é uma questão de geografia. Quanto mais longe estiverem do Equador, mais drásticas serão as Estações do ano. As partes superiores e inferiores do globo recebem mais ou menos luz solar em diferentes épocas do ano, tornando a perda de horas de luz do dia mais evidente. Já nas porções intermediárias do planeta, a quantidade de sol é aproximadamente a mesma durante todo o ano, tornando as estações são mais amenas e existe uma menor necessidade de fazer ajustes para maximizar a luz do dia.



Já conhecia a origem da mudança da hora? Diga-nos o que achou!

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